Repensando os estudos clínicos na América Latina
UPS Healthcare • 25 de maio de 2025 • 6 minutos de leitura
Explorando o crescimento de um mercado de pesquisa em expansão, os desafios de representatividade e as estratégias para enfrentar obstáculos logísticos.
Autor: Alina Mencias
Gerenciamento de produtos, UPS Healthcare
Quando as empresas farmacêuticas voltam sua atenção para a América Latina em busca de estudos clínicos, elas estão entrando em um cenário de imenso potencial, mas também de grande complexidade.
Imagine isso: uma região com populações de pacientes acolhedores, vibrantes e diversos, prontos para participar, oferecendo aos pesquisadores recrutamento mais rápido, economia significativa de custos e acesso a profissionais de saúde qualificados.
Parece a receita perfeita para promover avanços médicos, não é? Mas sob esta superfície promissora há uma história mais profunda e mais complexa.
À medida que o setor de pesquisa clínica amplia sua presença na América Latina, as lacunas de representatividade persistem. Um 2024artigo da American Association for Cancer Research destacou que menos de 5% dos pacientes elegíveis no mundo participam de estudos clínicos, sendo que populações rurais, indígenas e de baixa renda frequentemente ficam de fora devido a barreiras logísticas, culturais e sistêmicas.i
Enquanto os estudos se concentram em centros urbanos e comunidades mais favorecidas, as populações mais afetadas pelas desigualdades em saúde são, com frequência, deixadas de fora da equação. Tratamentos destinados a beneficiar a maioria nem sempre são testados naqueles que realmente precisam.ii
Esta desconexão destaca uma tensão crucial no cenário de estudos clínicos de hoje: à medida que pesquisas se globalizam, estamos realmente incluindo as comunidades que mais importam?
Um mercado em ascensão, mas para quem?
A América Latina está se tornando rapidamente uma potência em estudos clínicos. Países como Brasil, Colômbia, Argentina e México estão atraindo patrocinadores graçasiii:
E, segundo um 2024relatório da Organização Pan-Americana da Saúde, a atividade de estudos clínicos na América Latina está superando as médias globais em áreas terapêuticas como distúrbios metabólicos e doenças raras.v
Está claro que a região está crescendo. Mas aqui está o segredo: com esse crescimento notável vem uma responsabilidade igualmente significativa.
Porque a pesquisa clínica não é apenas sobre números ou escalabilidade, é sobre equidade.
Por que a representatividade importa
Os estudos clínicos oferecem um enorme potencial, mas globalmente temos observado um padrão preocupante de sub-representatividade, especialmente entre minorias raciais e étnicas. Isso não é apenas um problema moral, é científico. Quando os estudos não incluem populações diversas, corremos o risco de desenvolver tratamentos que podem não ser eficazes ou seguros para todos.
Vejamos os EUA, por exemplo. Nos Estados Unidos, as comunidades hispânicas representam quase 19% da população, mas correspondem a menos de 8% dos participantes de estudos clínicos, segundo a FDA.vi Na América Latina, a representatividade é mais complexa. Os estudos são realizados localmente, mas o recrutamento de participantes frequentemente se concentra em áreas urbanas e classes médias, excluindo grupos rurais, indígenas e de baixa renda. São justamente esses grupos os mais afetados pelas desigualdades em saúde, mas que continuam sub-representados.
A representatividade não é apenas um item para cumprir. É a base que garante que:
- Os medicamentos são testados para verificar como funcionam em populações diversas
- Os efeitos adversos são identificados e compreendidos em todos os grupos
- Os tratamentos estão disponíveis para quem mais precisa
Então, a questão é: como garantir que as comunidades que participam desses estudos também se beneficiem deles?
A logística por trás da inclusão
Uma das maiores barreiras para estudos clínicos equitativos na América Latina? Logística.
Imagine isso: um estudo clínico inovador tem o potencial de salvar vidas. A ciência é sólida, os tratamentos são promissores e os pacientes estão prontos. Mas, nos bastidores, uma série de desafios logísticos complexos dificulta muito o acesso das pessoas que mais precisam.
Os patrocinadores frequentemente enfrentam desafios específicos, como:
- regulamentações complexas e inconsistentes entre os países.
- Infraestrutura limitada na etapa final em áreas rurais.
- Gestão inconsistente da cadeia fria em regiões de altas temperaturas.
- Visibilidade inadequada dos movimentos na cadeia de suprimentos.
- Barreiras linguísticas e culturais durante o recrutamento de pacientes e o processo de consentimento.
Na UPS Healthcare, dedicamos tempo a desenvolver soluções que ajudam patrocinadores e Organizações de Pesquisa Clínica (Contract Research Organization, CROs) a superar essas barreiras. A ciência depende da qualidade do sistema que a apoia.
Entregando equidade na assistência médica
Por trás de cada estudo clínico bem-sucedido está uma cadeia de suprimentos projetada não apenas para a rapidez, mas também para a inclusão, a precisão e a confiança.
Na UPS Healthcare, ajudamos patrocinadores a ampliar o acesso e a equidade nos estudos clínicos na América Latina, oferecendo soluções logísticas que tornam a participação possível, independentemente de onde os pacientes vivem ou dos obstáculos que enfrentam.
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Marken, UPS Healthcare Precision Logistics
Conectar os pacientes à assistência médica, mesmo nas áreas mais remotas, não é uma tarefa fácil. A Marken, a UPS Healthcare Precision Logistics (anteriormente Marken, MNX e Polar Speed), subsidiária de terapia clínica e avançada da UPS Healthcare, une experiência em assistência médica e logística segura complexa para aumentar o sucesso de nossos clientes através da inovação.
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Expandindo nosso alcance com a aquisição do Bomi Group
Desde a aquisição do Bomi Group em 2022, aprofundamos nossas raízes na América Latina. Com logística avançada de cadeia fria, armazenamento especializado e soluções de distribuição integradas, estamos ajudando os patrocinadores a cumprir os rigorosos padrões da pesquisa clínica nesses mercados em rápido crescimento.
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Cadeia fria confiável, além de fronteiras e climas
Manter o controle preciso de temperatura é essencial em estudos clínicos, especialmente para produtos e amostras de saúde sensíveis. Nossas soluções avançadas de cadeia fria garantem a integridade do produto em todas as etapas, protegendo a estabilidade e a conformidade até mesmo nos climas e regiões mais desafiadores.
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Acesso direto ao paciente para comunidades carentes (Direct-to-Patient, DTP)
Nossos serviços de DTP são projetados para atender aos pacientes onde eles estão. Em áreas com infraestrutura clínica limitada, entregamos materiais de estudo diretamente nas casas dos participantes ou os conectamos com pontos de coleta próximos. Isso reduz as taxas de desistência e abre as portas para um recrutamento mais inclusivo.
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Experiência em regulamentação local
Cada país da América Latina possui seu próprio conjunto de normas regulatórias, e lidar com essas regras pode ser um grande obstáculo para a rápida ativação dos estudos clínicos. Nossas equipes no mercado fornecem orientação personalizada, garantindo que a documentação, os processos alfandegários e a conformidade sejam tratados com experiência local, mantendo os estudos sob controle.
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UPS® Premier: visibilidade em tempo real, monitoramento e envio prioritário
Estudos clínicos envolvem alto risco e prazos apertados. Com o UPS® Premier, os patrocinadores contam com ferramentas avançadas para visibilidade e monitoramento em tempo real, garantindo que sempre saibam onde estão as remessas críticas e possam intervir se necessário. Esse nível de precisão, combinado com o tratamento prioritário, protege a qualidade e reforça a confiança em cada etapa do processo.
O Caminho a seguir
O futuro dos estudos clínicos é descentralizado, diversificado e guiado por dados. Mas sem uma logística voltada para a equidade, corremos o risco de repetir os mesmos erros em novas regiões.
À medida que a América Latina se torna um participante maior da pesquisa global, os patrocinadores devem se perguntar:
- estamos construindo relacionamentos com pesquisadores e comunidades locais?
- estamos abordando as lacunas logísticas que impedem a inclusão?
- estamos medindo quem está sendo deixado de fora e fazendo alguma coisa a respeito?
Na UPS Healthcare, acreditamos que a logística pode ser uma força para o bem. Ela pode fazer a diferença entre um paciente perdido e um resultado significativo. Entre um estudo clínico rápido e um justo.
Porque quando dizemos “saúde global”, queremos dizer todos.
Notas de rodapé:
i Bloomberg New Economy International Cancer Coalition, McKinsey Cancer Center, Cure4Cancer. “Advancing Global Health Equity in Oncology Clinical Trial” Access (Avançando a equidade global da saúde no acesso a estudos clínicos de oncologia). Cancer Discovery, vol. 14, no. 12, 2024, pp. 2317–2320. DOI: 10.1158/2159-8290.CD-24-1288
ii Popejoy & Fullerton, “Genomics is failing on diversity” (A genômica está falhando em diversidade), Nature (2016), destacando a sub-representatividade mais ampla em pesquisas de saúde, incluindo as populações da América Latina. Link
iii Bioaccess, “Understanding Clinical Trial Diversity in Latin America” (Entendendo a diversidade de estudos clínicos na América Latina), Bioaccess Blog (2025), destacando o papel crescente da região na pesquisa clínica devido à diversidade populacional, à eficiência de custos e aos avanços regulatórios. Link
iv Kuick Research, “Clinical Trials in Brazil 2024: Market Insight, Current Landscape & Future Outlook,” (Estudos clínicos no Brasil: visão de mercado, panorama atual e perspectivas futuras) GlobeNewswire, 9 de setembro de 2024. Link
v Pan American Health Organization, “Portal of Clinical Trials of the Americas” (Portal de estudos clínicos das Américas), PAHO/WHO. https://www.paho.org/en/portal-clinical-trials-americas
vi U.S. Administração de Alimentos e Medicamentos (Food and Drug Administration, FDA), Drug Trials Snapshots Summary Report2021 (Relatório Resumido de Ensaios de Medicamentos), FDA, 2021. Link