Tendências nos cuidados de saúde domiciliários: idosos que vivem autonomamente em suas casas

A simplificação da logística da cadeia de abastecimento para cuidados de saúde domiciliários pode ajudar as empresas a servir de forma mais eficaz as necessidades dos idosos que vivem autonomamente em suas casas.

Uma filha abraça a mãe, que está numa cadeira de rodas.

Um olhar mais atento à importância dos cuidados de saúde domiciliários

À medida que as pessoas envelhecem, a perspetiva de deixarem as suas casas para passarem a viver num lar é muitas vezes dolorosa. Afinal, a nossa casa é onde está o nosso coração.

Veja-se, por exemplo, o caso de Anne e Michael S. Têm 60 e poucos anos e vivem na mesma casa há mais de três décadas. Criaram nela os filhos e, agora, os netos vêm visitá-los e brincar. Criaram memórias para toda a vida na sua casa.

Infelizmente, Anne e Michael têm problemas de saúde. Anne, 62, tem esclerose múltipla (EM) e está numa cadeira de rodas. Michael, 64, ficou gravemente ferido num acidente agrícola na juventude. Os seus joelhos e ancas foram substituídos.

Pensando no futuro, Anne e Michael preocupam-se com a forma como irão ter o apoio médico de que necessitam para gerir os seus problemas de saúde. Estão a pensar criar um plano para continuarem a viver de forma independente em casa, à medida que envelhecerem.

“Adoramos a ideia de podermos ver os nossos netos crescerem e brincarem nos mesmos locais que os nossos filhos brincavam quando eram pequenos”, diz Anne.

Para eles, a perspetiva de “envelhecer em casa” é profundamente apelativa. Significa continuar em casa e garantir os cuidados diários a partir de casa. Se conseguirem utilizar tecnologia moderna para concretizar o plano, será o melhor dos dois mundos.

Fatores que promovem o crescimento dos cuidados de saúde domiciliários

Tendo nascido logo após a Segunda Guerra Mundial, Anne e Michael S. fazem parte de uma geração que vive mais tempo do que todas as anteriores. Este aumento da esperança de vida, juntamente com o aumento do número de famílias mais pequenas, está a despertar o interesse na vida autónoma em casa.

Mas com os filhos adultos frequentemente ocupados com as suas próprias vidas e, por vezes, a muitos quilómetros de distância dos pais idosos, quem prestará esses cuidados diariamente? À medida que a tecnologia progride e as forças do mercado intervêm, as empresas estão cada vez mais preparadas para prestar serviços de cuidados de saúde domiciliários que anteriormente seriam coordenados por membros da família.

Faz sentido que pagadores e fornecedores ofereçam melhores cuidados de saúde ao domicílio. Quanto mais necessidades puderem ser objeto de triagem remota, mais será aliviada a pressão sobre os sistemas de cuidados de saúde tradicionais.

“Trata-se de encontrar formas de ajudar a reduzir custos, mantendo os doentes longe das camas dos hospitais e das salas de espera em consultórios médicos e até de ambulâncias que fazem atualmente viagens potencialmente desnecessárias para o serviço de urgência”, explica Chris Brown, Gestor de Estratégia Sénior no grupo de Estratégia da UPS Healthcare.

Ao mesmo tempo, o aumento do comércio eletrónico e o crescimento dos serviços a pedido estão a influenciar as expetativas dos doentes em torno dos cuidados de saúde. Se podemos comprar uma viagem a partir do telefone, porque não pedir uma enfermeira para administrar uma vacina?

“A tendência global de consumidores que pretendem ser atendidos e fazer as coisas ao seu próprio ritmo promoverá o esforço no sentido dos cuidados em casa, onde os doentes estão mais confortáveis, beneficiando de uma solução menos desgastante e mais conveniente”, diz Brown.

Trata-se de encontrar formas de ajudar a reduzir custos, mantendo os doentes longe das camas dos hospitais e das salas de espera em consultórios médicos e até de ambulâncias que fazem atualmente viagens potencialmente desnecessárias para o serviço de urgência."

Chris Brown, Estratégia na UPS Healthcare

A telemedicina como serviço de cuidados de saúde domiciliários

A telemedicina é um elemento fundamental dos cuidados de saúde domiciliários: a prestação de cuidados de saúde através de uma ligação à internet ou linha telefónica.

A telemedicina não é nenhuma novidade, mas muito do aumento nos serviços de telessaúde está a ser impulsionado pela geração mais jovem de adultos que estão acostumados a gerir as suas vidas através de dispositivos digitais. Com a telemedicina, os doentes podem receber aconselhamento médico, agendar testes e obter receitas escritas no conforto das suas casas – ou onde quiserem atender a chamada.

Anne e Michael S. são os candidatos perfeitos para a telemedicina. No entanto, atualmente o casal não recebe qualquer cuidado de saúde em casa e não acede a serviços de saúde ou a informações pela internet ou por telefone. Em vez disso, comparecem a consultas médicas duas vezes por mês na cidade, implicando uma deslocação de cerca de 45 minutos.

O setor está a trabalhar para colocar a tecnologia nas mãos de idosos, que não são conhecedores do mundo digital. Os médicos podem fornecer aos doentes dispositivos como tablets e monitores de saúde que podem ser utilizados fora do consultório.

Ter acesso fiável a serviços de telemedicina é importante para os idosos empenhados em continuar a viver nas suas casas.

A logística da prestação de cuidados de saúde domiciliários

Embora os benefícios da telemedicina sejam imensos, esta é apenas uma parte da equação. “Apesar de estarem a ser oferecidos cuidados digitalmente através de tecnologia como a telemedicina, o tratamento continua a ter de ocorrer fisicamente”, explica Mark Taylor, Diretor no grupo de Estratégia da UPS Healthcare. “Isto significa que os doentes continuam a ter de receber fisicamente a medicação ou a intervenção de dispositivos médicos.”

A coordenação da chegada de materiais essenciais a casa é um ponto problemático frequentemente enfrentado pelos profissionais de saúde ao domicílio, diz Taylor. “O pessoal de enfermagem podem passar muito tempo a procurar produtos e medicamentos, ou chegar a uma casa para prestar tratamento, e os produtos não estão lá.”

Neste caso, a tecnologia tem uma função a desempenhar na melhor sincronização do fornecimento de materiais aos prestadores de cuidados, fornecendo visibilidade em tempo real relativamente ao progresso dos produtos através da cadeia de abastecimento e proporcionando maior controlo sobre o respetivo agendamento.

A distribuição cada vez mais inteligente de produtos médicos para locais de stocks avançados, impulsionada pela análise preditiva de fluxos de inventário, pode ajudar ao armazenamento de abastecimento médicos, kits de testes de diagnóstico e equipamentos mais próximos das casas dos doentes.

A tecnologia tem uma função a desempenhar na melhor sincronização do fornecimento de materiais aos prestadores de cuidados, fornecendo visibilidade em tempo real relativamente ao progresso dos produtos através da cadeia de abastecimento e proporcionando maior controlo sobre o respetivo agendamento.

Abrir a porta de nossa casa e outras considerações

Encurtar a cadeia de abastecimento dos cuidados de saúde domiciliários é um elemento importante para criar o que Taylor chama de “uma forte experiência de consumidor por parte do doente”.

Ao mesmo tempo, levar a cadeia de abastecimento até às casas das pessoas, entregando produtos clínicos e outros materiais, requer novas considerações. Considere-se o manuseio de medicamentos com requisitos especiais de temperatura. Os requisitos de gestão de entregas de cadeia de frio estão bem estabelecidos no caso de produtos para cuidados de saúde que se movimentam dentro dos canais tradicionais. Brown diz que a UPS está a explorar personalizações na entrega para ajudar a proteger entregas efetuadas diretamente em casa. Uma destas opções pode ser proporcionar a um cliente com mobilidade limitada a capacidade de solicitar que o condutor aguarde um determinado tempo depois de tocar à campainha.

Há também a questão de permitir a entrada de um profissional médico em casa. Com o desenvolvimento dos serviços de cuidados de saúde domiciliários, as famílias convidarão cada vez mais pessoas que não conhecem para as suas casas. Permitir que um profissional médico entre em sua casa requer confiança, mas as vantagens são significativas.

Para pessoas como a Anne e o Michael, que têm dificuldade em ir ao consultório médico e não querem correr o risco de adoecer após uma ida a um consultório carregado de germes, uma vacina administrada em casa seria o ideal.

Fomentar as eficiências na cadeia de abastecimento dos cuidados de saúde

A cadeia de abastecimento dos cuidados de saúde é conhecida pelas suas ineficiências. Reabastecer materiais e gerir stocks complexos em muitas instalações pode dar origem a desperdício.

Um inquérito da Cardinal Health de 2019 concluiu que quase três quartos (74%) do pessoal médico e de enfermagem identificou “procurar materiais que deveriam estar prontamente disponíveis” como o fator com maior impacto na sua produtividade no trabalho. Por sua vez, a frustração pode dar origem à ineficiência ao solicitar materiais de substituição. Mas onde há um desafio, também há uma oportunidade.

“Acreditamos que uma das maiores oportunidades reside na simplificação da entrega de materiais e equipamento utilizado nos cuidados de saúde domiciliários, colocando-os mais próximo do ponto de atendimento para encurtar a cadeia de abastecimento e proporcionando maior flexibilidade e visibilidade na entrega tanto para doentes como para prestadores de cuidados”, comenta Brown.

Brown sugere trabalhar mais proximamente com agências de saúde domiciliar que podem ajudar a facilitar não apenas o fornecimento eficiente de materiais, mas também de serviços. Para pessoal de enfermagem sobrecarregado, uma cadeia de abastecimento eficiente pode aumentar a satisfação no trabalho.

“Uma das maiores oportunidades reside na simplificação da entrega de materiais e equipamento utilizado nos cuidados de saúde domiciliários, colocando-os mais próximo do ponto de atendimento para encurtar a cadeia de abastecimento e proporcionando maior flexibilidade e visibilidade na entrega tanto para doentes como para prestadores de cuidados.”

Chris Brown, Estratégia na UPS Healthcare

Gerir doenças crónicas e os cuidados após as crises agudas

As doenças complexas ou crónicas são uma área-chave de foco para especialistas na cadeia de abastecimento de cuidados de saúde.

De acordo com o CDC, prestar serviços a doentes com doenças crónicas, desde diabetes e doenças respiratórias, passando por doenças cardíacas e cuidados renais, gera aproximadamente 90% do gasto total anual com os cuidados de saúde nos Estados Unidos.

O desenvolvimento de serviços de cuidados de saúde domiciliários abrangentes pode ajudar a reduzir os custos nessa área. Existe também uma oportunidade para os fornecedores de logística: explorar serviços especializados – por exemplo, entrega de dispositivos médicos em casa.

E a oportunidade não se limita às doenças crónicas. Uma melhor assistência aos cuidados de saúde domiciliários pode criar mais opções em relação aos cuidados após crises agudas, afirma Taylor. “Tradicionalmente, depois de passarmos, por exemplo, por uma cirurgia de coração aberto, passamos bastante tempo numa cama de hospital com cuidados e monitorização contínuos por parte do pessoal de enfermagem.”

Com melhores opções de cuidados de saúde domiciliários, há a possibilidade de colocar o doente em casa mais cedo e enviar pessoal de enfermagem para monitorização, com o apoio de dispositivos médicos baseados em tecnologia recente. Isso acelera a rotatividade das camas de hospital, ao mesmo tempo que oferece aos doentes a possibilidade de convalescer no conforto das suas casas.

Cuidados de saúde domiciliários e um mercado que amadurece gradualmente

Ainda estamos nos primórdios para o setor dos cuidados de saúde domiciliários nos Estados Unidos. O setor permanece altamente fragmentado e a tecnologia é relativamente imatura, com falta de adoção generalizada de boas práticas. Tal pode gerar custos desnecessários e dificultar a mudança de cuidados mais complexos para casa. Reconhecendo isto, as grandes seguradoras e organizações de prestadores de cuidados de saúde estão a pressionar no sentido de uma maior consolidação da indústria.

Na opinião de Brown, “as companhias de seguros estão a atuar como prestadores de cuidados de saúde, e os prestadores de cuidados de saúde estão essencialmente a tornar-se empresas de tecnologia, em ambos os casos com o objetivo de chegar aos doentes e lhes prestar cuidados a um custo mais baixo.”

A casa como uma plataforma para uma vida autónoma na terceira idade

Uma casa não se atualiza espontaneamente para uma vida autónoma na terceira idade. O casal Anne e Michael S. já fez modificações em sua casa – instalando elevadores para cadeiras de rodas nas escadas e outras adaptações para tornar a casa de três andares acessível para Anne – mas sabem que há mais a fazer.

“A nossa independência significa muito para nós. Não queremos sair de casa, mas temos mesmo de reformar a casa para satisfazer as nossas necessidades”, diz Anne. “Gostaríamos muito de ter um serviço que nos ajudasse a viver autonomamente em casa, para nunca precisarmos de ir para um lar de idosos – seria ótimo que um especialista nos orientasse.”

Saiba mais sobre como a UPS está a ajudar a indústria dos cuidados de saúde no desenvolvimento de serviços de logística para cuidados de saúde domiciliários.

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